Cusco, no Peru, enfrentou uma crise política severa em dezembro de 2022, quando manifestações violentas eclodiram após a destituição do presidente Pedro Castillo. A cidade histórica, principal porta de entrada para Machu Picchu, vivenciou protestos intensos que resultaram no fechamento temporário do aeroporto internacional e cancelamento de voos. Os manifestantes exigiam a renúncia da presidente interina Dina Boluarte e novas eleições, causando impactos significativos no turismo local e na economia regional.
A instabilidade política iniciou quando Pedro Castillo tentou dissolver o Congresso peruano em 7 de dezembro de 2022, sendo posteriormente destituído e preso. Esta decisão desencadeou uma onda de protestos em todo o país, com Cusco sendo uma das regiões mais afetadas devido ao forte apoio popular que Castillo possuía na região andina.
O Aeroporto Internacional Alejandro Velasco Astete de Cusco foi invadido por manifestantes, forçando o cancelamento de centenas de voos. Milhares de turistas ficaram retidos na cidade, incluindo visitantes internacionais que planejavam conhecer Machu Picchu. As autoridades aeroportuárias suspenderam temporariamente todas as operações por questões de segurança.
Os protestos em Cusco foram particularmente intensos devido à forte identidade cultural da região. Muitos manifestantes usavam vestimentas tradicionais andinas e bandeiras com símbolos incas, demonstrando o caráter não apenas político, mas também cultural do movimento. A população local via a destituição de Castillo como um golpe contra a representação das comunidades rurais e indígenas.
O setor turístico de Cusco sofreu perdas milionárias durante o período de instabilidade. Hotéis registraram cancelamentos massivos, agências de turismo suspenderam operações e o acesso a Machu Picchu foi temporariamente interrompido. A situação afetou diretamente milhares de trabalhadores que dependem do turismo na região.
As forças policiais e militares foram mobilizadas para conter os distúrbios, resultando em confrontos que deixaram feridos e causaram danos materiais significativos. Algumas estradas principais foram bloqueadas, dificultando o transporte de mercadorias e pessoas entre Cusco e outras cidades peruanas.
Durante o auge da crise, o governo declarou estado de emergência em várias regiões do país, incluindo Cusco. Esta medida suspendeu temporariamente alguns direitos constitucionais e permitiu maior presença militar nas ruas para restabelecer a ordem pública.
Impactos no Patrimônio Cultural
A situação gerou preocupações sobre a preservação do patrimônio histórico de Cusco, declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. Autoridades culturais monitoraram de perto os sítios arqueológicos e monumentos históricos para evitar danos durante os protestos. Felizmente, os principais pontos turísticos não sofreram danos significativos.
A recuperação gradual começou em janeiro de 2023, quando o aeroporto reabriu e os serviços turísticos foram retomados progressivamente. O governo implementou medidas para garantir a segurança dos visitantes e restaurar a confiança no destino turístico mais importante do Peru.
A crise política em Cusco representou um momento crítico na história recente do Peru, evidenciando as profundas divisões sociais e políticas do país. A cidade, que simboliza a grandeza do império inca e atrai milhões de visitantes anualmente, demonstrou sua resiliência ao superar gradualmente os desafios impostos pela instabilidade política. O episódio destacou a importância do turismo para a economia local e a necessidade de estabilidade política para manter Cusco como destino seguro e atrativo. Atualmente, a cidade trabalha para reconstruir sua imagem internacional e garantir que eventos similares não prejudiquem novamente seu papel como principal portal de acesso às maravilhas arqueológicas peruanas, incluindo a icônica Machu Picchu.
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